Toda sexta é dia de nostalgia.

Eu vou todas as quintas-feiras ao salão de beleza durante a manhã. Isso é rotina da quinta desde que comecei na Universidade Federal. Mas essa semana, por causa de trabalhos da mesma instituição citada no período anterior, mudei meu dia de cuidar dos cabelos para a sexta-feira. E foi especial.

Enquanto aguardava ser atendida, tentava redigir o texto de Língua Portuguesa. E discorrendo linhas, fui recordando a época que eu morava exatamente ali. Todo dia de Jardim Tropical é dia de lembranças.

Eu escrevia sobre objetividade jornalística, mas minha mente estava nas tardes que passava na rua junto da “turma do bairro”. Um dava conselho para o outro e ficávamos conversando até o sol se por. Veio-me também as noites na barraquinha, onde vendia aquele bolo de chocolate que embevecia qualquer um de nós. As estrelas nunca apareciam, mas mesmo assim olhávamos para o céu. Depois, vinha o skate e as tentativas falhas de conseguir permanecer em cima dele por dois minutos.

Andei até a Central. Vi adolescentes caminhando com um skate debaixo do braço. Era a “turma” (ou sei lá como a nova geração nomeia). Foi nesse momento que me veio na cabeça: a vida é mesmo linear.

E eu estou ficando mais velha.

Decidi chegar em casa e escrever sobre o fim da tarde. Não sei por qual razão ainda me recordo. Penso que tudo isso serve para lembrar que estou me sentindo sozinha outra vez. O bom seria conhecer outras pessoas e novos lugares, mas por onde começar?

Todo dia do cabelo é dia de nostalgia… E de saudade.