Toda sexta é dia de nostalgia.

Eu vou todas as quintas-feiras ao salão de beleza durante a manhã. Isso é rotina da quinta desde que comecei na Universidade Federal. Mas essa semana, por causa de trabalhos da mesma instituição citada no período anterior, mudei meu dia de cuidar dos cabelos para a sexta-feira. E foi especial.

Enquanto aguardava ser atendida, tentava redigir o texto de Língua Portuguesa. E discorrendo linhas, fui recordando a época que eu morava exatamente ali. Todo dia de Jardim Tropical é dia de lembranças.

Eu escrevia sobre objetividade jornalística, mas minha mente estava nas tardes que passava na rua junto da “turma do bairro”. Um dava conselho para o outro e ficávamos conversando até o sol se por. Veio-me também as noites na barraquinha, onde vendia aquele bolo de chocolate que embevecia qualquer um de nós. As estrelas nunca apareciam, mas mesmo assim olhávamos para o céu. Depois, vinha o skate e as tentativas falhas de conseguir permanecer em cima dele por dois minutos.

Andei até a Central. Vi adolescentes caminhando com um skate debaixo do braço. Era a “turma” (ou sei lá como a nova geração nomeia). Foi nesse momento que me veio na cabeça: a vida é mesmo linear.

E eu estou ficando mais velha.

Decidi chegar em casa e escrever sobre o fim da tarde. Não sei por qual razão ainda me recordo. Penso que tudo isso serve para lembrar que estou me sentindo sozinha outra vez. O bom seria conhecer outras pessoas e novos lugares, mas por onde começar?

Todo dia do cabelo é dia de nostalgia… E de saudade.

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Observação.

Um ano se passa, mas existem coisas que são impossíveis de deixar de lado, de esquecer, de não recordar. É um ano, mas parece que é um dia. Consigo sentir as mesmas sensações, as mesmas emoções, os mesmos flashbacks e até não esqueci o gosto do choro. Trezentos e sessenta e cinco dias não foram tanto. Meu quarto está mudado, algumas coisas foram jogadas foras. A sala trocou de posição duas vezes e até mesmo de lado. No lugar do claro sol, colocaram uma cortina e o “armário da Princesa Isabel” foi vendido. Aquele sofá tão feio foi trocado por um novo e a Shenna engordou mais um pouco. As coisas mudaram por aqui. Tudo mudou mesmo. As lembranças quase desapareceram, não é?! Eu temia tanto que isso acontecesse, por isso acreditava que seria difícil lidar com um sofá novo ou com a perda do azul em meu quarto. Mas isso nunca aconteceu. Ainda consigo sentir.

Há um ano me disseram “Quarto novo, vida nova. Agora, você precisa esquecer tudo que aconteceu até aqui e recomeçar”. Eu recomecei, ainda que não tenha esquecido nada, eu recomecei.

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Fases e épocas.

Talvez seja assim mesmo. A vida é cheia de épocas, não de fases. Fase parece que passa pra nunca mais ser lembrada ou vivida, é e depois nunca será. Época já soa diferente para mim. Época é e depois continua nos nossos pensamentos, naquele cantinho do cérebro que guarda melhor. Eu tive várias épocas, não me arrependo de nenhuma. Algumas épocas se foram, mas, diferente de fases, elas continuam aqui comigo e eu agarro toda oportunidade que tenho para recordá-las.

Esse texto é aleatório. Porém, veio na minha cabeça assim que eu li no meu fotolog uma mensagem da Gleid: “Barbara, vai ter encontro na pedra da cebola domingo que vem às 14hrs…”. Quando li, tempos antigos voltaram ao meu ser.

E aí, eu pensei nisso tudo. Pensei também que a vida é como um terminal. Há constantemente pessoas entrando e saindo. Tem algumas que possuem a hora certa, outras têm pressa para subir no primeiro ônibus que passa para ir bem longe.

Hoje, são outras coisas que me distraem, eu tenho outros vícios, novas rotinas, interesses diferentes. Também existem outras pessoas aqui, ainda que não sejam meus amigos.

Agora, me veio na cabeça que só tive essa reflexão pois li as palavras da Gleid logo após chegar do parque.

Estranho se dá conta que você já foi tanta coisa.

Várias épocas estiveram aqui. Cada uma teve seu motivo. As pessoas mudam.

(Em 10/01/12)