Não é pedir demais que as coisas se resolvam.

E o trabalhador trabalha. Olhos fixos no caminhão. A roupa manchada de gasolina e as mãos, que eu não entendia como resistia aos esforços, cansadas e muito sujas. O olhar dele eu conhecia. Para muitos, era o mesmo de sempre. A expressão vazia era constante. Para mim, passava-se uma vida inteira por aqueles olhos, um sentimento que nem mesmo ele sabia qual era. Era algo que gritava como “estou sofrendo… estou sofrendo…”. E os pensamentos estavam longínquos tentando encontrar o erro ou o momento em que a vida havia decretado desinteresse por ele. 

Meu coração também trabalha igual ao trabalhador. Martela bombeando para o meu corpo inteiro doses imensas de sentimentos tristes. Apesar de tudo, não quero que a minha aorta se rompa. Eu quero viver.

(Em 24/04/11)

Anúncios